![]() |
CURIOSIDADES DA FÍSICA José Maria Filardo Bassalo www.bassalo.com.br |
![]() |
O Movimento na
Antiguidade.
Para
os filósofos gregos Pitágoras de Samos (c.560-c.480) e Xenofanes de Cólofon (c.560-c.478), o movimento poderia ser explicado sobre dois pontos de vista
completamente opostos: contínuo, para os que consideravam
ser o espaço e o tempo infinitamente divisíveis; e discreto (constituído de
uma sucessão de diminutos deslocamentos), para os que admitiam ser o espaço e o
tempo compostos de pequenos intervalos indivisíveis. Por sua vez, o filósofo
grego Parmênides de Eléia (c.515-c.450) defendia a ideia de que o ser é imóvel, eterno e único e, portanto, o
movimento é ininteligível.
A questão do movimento também foi tratada pelo
filósofo grego Zenão de Eléia (c.490-c.430) por
intermédio de seus quatro paradoxos: Dicotomia, Aquiles e a Tartaruga, Flecha e
Estádio. No da Dicotomia, afirmou que antes de um
corredor vencer certa distância deverá vencer a metade da mesma; antes de
vencer esta metade, deverá vencer a metade da metade; e assim sucessivamente.
Portanto, para o corredor realizar a corrida deverá percorrer um número
infinito de contatos em um tempo finito o que, para Zenão, era impossível. O
paradoxo de Aquiles e a Tartaruga – o mais famoso deles – é análogo ao anterior, só que a subdivisão infinita do
espaço é progressiva ao invés de ser regressiva. Assim, mesmo sendo o herói da Guerra de Tróia mais veloz que a
tartaruga, se esta, contudo, numa corrida saísse na frente de Aquiles, este
nunca a alcançaria, pois, para atingi-la, deveria percorrer primeiro a
distância inicial que o separa da tartaruga, depois teria de percorrer a
distância vencida pela tartaruga, e assim por diante.
No paradoxo da Flecha,
Zenão raciocinou que uma flecha em movimento ocupa sempre um lugar igual a si
própria; ora, se ela ocupa sempre um espaço igual ao seu tamanho, ela está
sempre parada e, portanto, o seu movimento é uma ilusão. No do Estádio
ou dos Bastões em Movimento, Zenão considerou que se dois bastões (A,
B) de iguais tamanhos se deslocarem igualmente (hoje, diríamos, com a mesma
velocidade) em relação a um terceiro (C) mantido fixo, então o bastão A (ou B)
pareceria se deslocar duas vezes mais rápido que o bastão B (ou A),
respectivamente, num mesmo intervalo de tempo, o que não é possível, concluiu
Zenão. Com estes dois últimos paradoxos, verifica-se que Zenão recusava a
hipótese de ser o tempo composto de pequenos intervalos indivisíveis. Registre-se que os filósofos gregos Melisso de Samos [floresceu cerca
(f.c.)
Esses Paradoxos de Zenão foram analisados pelo filósofo grego Aristóteles
de Estagira (384-322) em seu livro intitulado Physis (“Física”), no qual apresentou suas
próprias ideias sobre o movimento, que o considerava como o ato do que está em potência enquanto
Na continuação de seus
estudos sobre o movimento,
Aristóteles afirmou que existe um princípio
dinâmico no movimento: - Todo movido
é movido por um motor. Desse modo, no movimento
natural um corpo se move devido a sua apetência, isto é, segundo a sua
natureza, que é um motor interior. Já um corpo sob um movimento forçado o faz por intermédio de um motor que lhe é
estranho e contíguo. Este, dizia Aristóteles, é o caso do movimento de um corpo
no ar, pois este, ao ser empurrado para os lados pelo corpo, o impulsiona em
sua trajetória. Portanto, concluiu, só há movimento
forçado se houver ar, conclusão que levou ao célebre apotegma: - A Natureza tem horror ao vácuo (“Horror Vacui”).
Usando esses princípios,
Aristóteles obteve os seguintes resultados: 1) Sempre que uma força ou potência é exercida sobre um móvel, a relação
das distâncias percorridas é igual à relação dos tempos de percurso; 2) A relação das forças exercidas sobre um
móvel é igual a relação das distâncias percorridas num
mesmo intervalo de tempo, desde que estas forças tenham uma intensidade que
ultrapasse certo limite abaixo do qual elas não podem agir; 3) O movimento de um corpo através de um meio
resistente, além de ser proporcional à força que o produziu é, também,
inversamente proporcional à resistência do meio considerado; 4) Os corpos se movem diferentemente uns dos
outros por excesso de peso ou de leveza; 5) Um corpo pesado cai mais rapidamente do que um leve; 6) A velocidade de um corpo em queda livre é
proporcional ao seu peso.
Destaque-se que os gregos,
os filósofos Pirro de Elida (360-270), Epicuro de Samos (341-270) e o
astrônomo Estratão de Lâmpsaco
(340-270); os filósofos estóicos, o fenício Zenão de Cítio
(332-262) e os gregos Cleantes de Assos
(c.312-232) e Crispo de Soli (277-c.204),
bem como o inventor grego Philon de Bizâncio (c.300
a.C.- ? ), defenderam as ideias de Aristóteles sobre
o movimento.