( Parte da capa do "Diálogo sobre os Sistemas do Mundo", de Galileu Galilei, 1632. ) SEARA DA CIÊNCIA

A FORÇA DE CORIOLIS

O que é uma força fictícia.
Vamos começar lembrando a Primeira Lei de Newton, ou Lei da Inércia. Ela afirma que:

Um corpo que não está sob a ação de nenhuma força deve estar em repouso ou em movimento retilíneo com velocidade constante.

A recíproca é verdadeira: se o corpo estiver sob a ação de uma força deverá estar acelerando. Isto é, sua velocidade deverá estar variando de valor, ou de direção, ou ambas as coisas.

A melhor forma de entender uma lei como essa é sentir seus efeitos. Uma pessoa que está em um carro que freia subitamente é lançada para frente. Qual foi a força que empurrou essa pessoa? Nenhuma. Simplesmente o corpo da pessoa segue a Lei da Inércia e, enquanto não surgir alguma força que o impeça, continua sua trajetória para frente com a mesma velocidade com que vinha, prosseguindo até que encontra um obstáculo, talvez o parabrisa do carro.

Há uma tendência natural do pobre passageiro de achar que foi impelido para frente por uma força de origem desconhecida. Mas, a interpretação correta pela Lei da inércia é outra. O carro sofreu uma força que o fez parar, talvez uma freiada súbita e inesperada. Já o corpo do passageiro, que não sofreu diretamente a ação dessa força, tende a continuar se deslocando para a frente. Isto é, ele se move em relação ao carro por não ter nenhuma força que o impeça.

Coisa semelhante ocorre se o carro fizer uma manobra brusca e o passageiro for projetado para fora. Alguma força age sobre o carro, talvez o atrito nas rodas, tirando-o de sua trajetória retilínea original. É o que se costuma chamar de "derrapagem". Já o passageiro, como no caso anterior, não estando sob a ação dessa força, tende a continuar em sua trajetória reta. É lançado contra a porta e, se essa abrir, é jogado para fora.

Na animação vemos uma reta amarela que indica a trajetória do corpo do passageiro. Como no caso anterior, o passageiro continua em sua trajetória retilínea por não sofrer a ação da força que desviou o carro. Do ponto de vista de outra pessoa dentro do carro, esse passageiro parece ter sido lançado para fora por alguma força estranha e inexplicável.

A palavra chave nesse relato é "parece". Para explicar o fato do passageiro ser ejetado pela porta do carro essa outra pessoa supõe a existência de uma força que empurrou o passageiro para fora. Ela até dá um nome a essa "força", chamando-a de "força centrífuga". Quem está de fora sabe que essa força é mera ilusão na cabeça de alguém que está em um sistema girante (o carro). Quem está fora do carro está em um sistema fixo, dito "inercial", e sua interpretação, baseada na Lei da Inércia, indica que a "força centrífuga" simplesmente não existe.

A "força centrífuga" é um exemplo típico de uma força fictícia, que parece existir para quem está em um sistema acelerado, como o carro que derrapa. Sempre que a gente está em um sistema acelerado costumam surgir essas "forças fictícias" decorrentes de uma "falha" de interpretação. Como veremos a seguir, uma dessas forças fictícias é a "força de Coriolis", que pode se manifestar em sistemas que estão em movimento de rotação.


Carrosséis e bolinhas.

O efeito Coriolis no planeta Terra.

O efeito Coriolis na pia do banheiro.